Taddei

7954851

O polivalente com a camisa da Roma

Poucos jogadores da história recente do futebol tiveram sua imagem tão ligada a de um curinga como Rodrigo Taddei. O meia, volante, lateral direito, lateral esquerdo, centroavante e até goleiro, passou por Palmeiras e Siena, antes de chegar ao Roma em 2005.

Na equipe de Palestra Itália teve em Luiz Felipe Scolari seu grande defensor. O treinador apostava muito no talento do jogador multi-funcional, que é meia atacante de origem. Taddei, infelizmente, foi alvo da impaciente e corneteira torcida alvi-verde desde que subiu da base em 98. Ele não possuía, é verdade, grande habilidade e demonstrava deficiência na maioria dos fundamentos. Mesmo assim, participou do último período de glorias do Palmeiras, de 98 a 2001. Em seu currículo estão os títulos da Libertadores, da Copa do Brasil, do Rio-SP e da Copa dos Campeões. Neste último, disputado no Nordeste, Taddei atingiu seu auge, tendo sido o grande destaque da conquista. Mesmo sem apresentar um futebol muito desenvolvido, o jogador sempre foi útil ao Palmeiras, independente da posição em que estava atuando.

Rodrigo Taddei por pouco não escreveu seu nome na história do futebol brasileiro. Em uma partida válida pelo Campeonato Brasileiro de 2001, o Palmeiras perdia por 2×1 para o Vasco, em jogo disputado em Rio Preto, quando aos 49 minutos do segundo tempo, o goleiro Marcos cometeu falta e recebeu o cartão vermelho. Márcio Araújo já havia executado as três substituições, uma delas a entrada de Taddei. Coube então ao curinga palestrino vestir a camisa de goleiro, calçar as luvas e se encaminhar para a meta. Romário estava em campo. Acompanhe o restante desta história no vídeo abaixo.

Taddei acionou a Justiça e saiu brigado do Palmeiras no começo de 2002. Seguiu para a Itália, surpreendendo boa parte das pessoas que acompanhavam o futebol apresentado pelo jogador. Mais surpresos ainda ficaram após as belas atuações nos 3 anos em que defendeu o time do Siena. O flexível jogador seguiu para a Roma em 2005. Em 123 jogos marcou 21 gols e segue como titular da equipe da capital italiana. Em 2008 marcou o gol que eliminou o Real Madri da UEFA Champions League, em pleno Santiago Bernabéu.

O polivalente Rodrigo Taddei completa 30 anos em 2010, ano do fim de seu contrato com a Roma. Os dirigentes italianos não devem pensar duas vezes antes de renovar seu contrato. Com cidadania italiana e ganhando alguns milhões de euros por temporada, Taddei sabe que jamais será carta fora do baralho.

Gilberto Silva

Foto: George Herringshaw

Foto: George Herringshaw

Gilberto Aparecido da Silva, mineiro de Lagoa da Prata, nasceu no dia 7 de Outubro de 1976. O volante, que hoje defende o Panathinaikos, da Grécia, já passou pelo América-MG, pelo Atlético Mineiro e pelo Arsenal, da Inglaterra. Além disso, Gilberto defende a Seleção Brasileira desde 2001 e ainda é figura carimbada e de confiança do técnico Dunga.

Em 2001, a boa marcação do volante do América despertou o interesse do Atlético. Jogando pelo Galo, ele foi convocado por Luiz Felipe Scolari para a Copa de 2002. Depois de conquistar o penta, foi contratado pelo Arsenal da Inglaterra. Em seis anos defendendo o time londrino, conquistou três títulos e chegou a ser capitão da equipe, após a saída de Thierry Henry.

Em 2008, o Panathinaikos pagou cerca de 3 milhões de reais pelo passe de Gilberto Silva.

Momento Coadjuvante: Copa do Mundo 2002

Clássico “carregador de piano”, por onde passou não deixou lembranças pela beleza do futebol apresentado. Pelo contrário, a característica de marcador incansável fez Felipão escalá-lo como titular, na função de primeiro volante da Seleção, na Copa de 2002, após a lesão de Emerson.

Gilberto Silva correspondeu bem à confiança de Scolari. Típico mineiro, sem fazer muito alarde, foi titular em todos os jogos da conquista do penta, sem ter sido substituído uma vez sequer.

Enquanto Ronaldinho, Rivaldo e Ronaldo se encarregavam dos gols da equipe e Marcos segurava tudo no gol brasileiro, Gilberto tomava conta do meio de campo, com a companhia inicial de Juninho Paulista e depois ao lado de Kléberson.

Tímido e sempre comendo pelas beiradas, Gilberto Silva trabalha para disputar a terceira Copa do Mundo, ano que vem, na África do Sul. Assim, ele entrararia para o grupo que conta com craques como Ronaldo, Roberto Carlos, Cafu, Zico, Jairzinho, Pelé, Garrincha, Djalma Santos, Nílton Santos, entre tantos outros protagonistas e alguns bravos coadjuvantes do futebol.

O Coadjuvantismo da Bola e as Questões Psico-Culturais-Futebolísticas

 

Andrada, inconformado, viria a socar o chão após o gol d'Ele

Andrada, inconformado, viria a socar por várias vezes o chão após o gol d'Ele

Amigos, após 5 jogadores postados penso que cabe uma análise do que foi mostrado até então.

Ao acessar o blog pela primeira vez, a reação inicial do amigo leitor pode ter sido: “Bah, o Valdano coadjuvante? Tá louco!?!” ; “Se o Roger Milla é coadjuvante quem é protagonista da história do futebol camaronês?” ou ainda “Quem diabos é Sándor Kocsis? Coadjuvante da onde esse sujeito?”.

A proposta do blog não é meramente classificar os jogadores do passado. Lembremos que o objetivo é recordar jogadores de alto nível que não possuíram o reconhecimento pelo futebol apresentado em suas épocas. Assim, por ser algo subjetivo e puramente interpretativo, o status de coadjuvante de um jogador é designado pela visão do autor do blog, por aquilo que ele enxerga, conhece, lê. “Ele” no caso, sou eu.

Obviamente que não vi grande parte dos jogadores aqui relatados. Entretanto, assim como sei que na noite do dia 19 de novembro de 1969, Pelé entrava para história ao marcar o milésimo gol de sua carreira, sei também que a Hungria de 1954 fez por merecer conquistar a Copa, vencida pelos alemães.

Todos sabem que em 1970, o Brasil de Pelé se sagrou tricampeão mundial. Nem todos sabem quanto gols exatos Pelé marcou na sua carreira. Essa diferença é algo comum em todas as áreas do conhecimento e do aprendizado humano. O que quero dizer é que, assim como cada pessoa vê o mundo de uma maneira e possui ideais e valores individuais, cada um enxerga o futebol de um modo. E isso não faz um sujeito melhor ou pior que o outro. Para uns futebol é paixão doentia. Para outros é puro entretenimento. Alguns encontram oportunidades de negócios no futebol. Tem aqueles que não dão a mínima bola para a bola. 

Se para você, amigo, não interessa saber quem foi e o que fez Mauro Silva, agradeço a visita mas este blog não te acrescentará em nada. Suba a âncora do barco e continue a navegar pelo fantástico mundo da Internet. A coluna com links ao lado pode servir de bússola para o caminho futuro.

Fugindo de uma conclusão Skol, “Redondo é rir da vida”, finalizo aqui dizendo que tentei esclarecer alguns pontos que possam ter levado o amigo leitor  a criticar a escolha de algum jogador nesta lista ou até a ter torcido o nariz para o blog de “mais um desocupado que acha que entende de futebol”. 

Se, na sua opinião, esse post não serviu para esclarecer nada, muda por 4-3-3 e tenta abrir a zaga deles.

Um abraço.

Sándor Kocsis

Imagem13

Foto: www.rankopedia.com

O artilheiro húngaro Sándor Kocsis viveu de 1929 a 1979. Aos 19 anos sagrou-se campeão nacional defendendo o Ferencváros, da Hungria. Ainda em seu país, passou pelo Honved, onde foi artilheiro do campeonato húngaro por três temporadas seguidas.
Em 1954, disputou a Copa do Mundo, no melhor resultado obtido na história da Hungria, o vice-campeonato.
Foi forçado a sair da Hungria em 1956, em consequência da intervenção soviética no país. Passou pelo Young Fellows, da Suíça, antes de assinar contrato com o Barcelona.
No clube espanhol foi bicampeão nacional e da Copa da Espanha, além de ter conquistado a Copa da Uefa. No Barça, marcos 140 gols em 194 partidas. Kocsis Pendurou as chuteiras em 1966, após 20 anos de carreira. Tentou a sorte como técnico, mas não obteve sucesso.

Momento Coadjuvante: Copa do Mundo de 1954

Kocsis participou da melhor equipe da Hungria de todos os tempos. Ao lado de Puskas, maior jogador húngaro da história, após conquistar o ouro nas Olimpíadas de 52, levou a seleção até a final da Copa do Mundo de 1954, na Suiça.

Com um futebol avassalador, a Hungria aplicou 9 x 0 na Coréia do Sul e 8 x 3 na poderosa Alemanha Ocidental, duelo este que se repetiria na final. Passou pelo Brasil nas quartas e pelo Uruguai na semi. 

Todos apostavam na Hungria no embate final contra os alemães do ocidente. No jogo que ficou conhecido como “Milagre de Berna”, a Alemanha surpreendeu o mundo ao conquistar a taça Jules Rimet, com uma vitória por 3 x 2.

Apesar de Puskas sempre ser apontado como o principal jogador daquele time, Sándor Kocsis, The Man With The Golden Head, como era conhecido, foi o artilheiro daquela Copa, com incríveis 11 gols marcados, o recorde em Copas até então. 

milagre-de-berna09

Cena do filme "O Milagre de Berna"; Europa Filmes; 2003

Josimar

 

Foto: Joe Mann

Foto: Joe Mann

O carioca Josimar Higino Pereira nasceu em em 1961. Lateral direito, em poucos anos de profissão passou por clubes como Sevilha da Espanha, Flamengo e Internacional. Mas foi no Botafogo, onde esteve de 81 a 89, que conquistou seu único título, o carioca de 89 – aquele do famoso gol de Maurício- , após 21 anos de fila do clube da estrela solitária. Alcançou o auge ao ser convocado para disputar a Copa do Mundo de 1986. Depois do Botafogo, Josimar nunca mais conseguiu manter a regularidade nas equipes em que defendeu. O jogador acabou se envolvendo com drogas e sumiu do cenário do futebol.

Momento Coadjuvante: Copa do Mundo 1986

A sorte cruzou o caminho do veloz e hábil Josimar quando ele foi convocado por Telê Santana para disputar o Mundial no México, em 86. Foi chamado depois do pedido de dispensa do lateral Leandro do Flamengo, que havia ficado insatisfeito com a não convocação do “rebelde” atacante Renato Portaluppi (hoje Renato Gaúcho), que não se dava bem com Telê.

O time do Brasil não era tão forte quanto o de 82, e apesar de Zico não estar 100% devido a uma grave lesão no joelho, sofrida no ano anterior, Telê conseguiu armar um time bastante forte com destaque para Sócrates, Júnior e Careca, autor de 5 gols. A seleção chegou às quartas contra a França sem ter tomado um gol sequer. Num jogo memorável, o Brasil perdeu na decisão por pênaltis. 

Josimar seria reserva na Copa, mas com a lesão do outro lateral, Édson, acabou virando titular no terceiro jogo, contra a Irlanda do Norte. Sem não acreditar, acabou marcando um belíssimo gol na vitória por 3 x 0. Repetiu a dose no jogo seguinte, contra a Polônia, nas oitavas de final, novamente com um gol incrível. Com as comemorações espontâneas de seus magníficos gols, Josimar ficou marcado na história das Copas.

Foi sem dúvida o momento maior na carreira do lateral. As drogas e as más companhias impediram Josimar de desenvolver melhor sua trajetória no futebol e até de disputar outras Copas. Mesmo assim, sua participação inesperada em 86 é algo que dificilmente será esquecido da memória do torcedor brasileiro.

Veja abaixo o gol contra a Polônia, na narração de Luciano do Valle.

 

Roger Milla

roger_milla_2294_sq_large1

Foto: Fifa.com

O simpático camaronês Albert Roger Mook Miller, nascido em Yaoundé, em 1952, rodou por vários times de seu país até chegar ao Monaco em 79. Em 20 anos de futebol francês passou pelo Bastia (onde marcou o gol do título da Copa da França de 81, contra o Saint-Éttiene de Michel Platini), pelo próprio Éttiene e pelo Montpellier. Depois disso retornou para jogar em seu país. Conquistou duas Copas da França e duas Copas das Nações da África pela seleção camaronesa. 

Momento Coadjuvante : Seleção de Camarões

O atacante Milla não participou de grandes esquadrões, coadjuvantes sempre foram as equipes que ele defendeu, sendo sempre ele o destaque. Em 1990 na Copa do Mundo disputada na Itália, em meio a um futebol chato apresentado pelas seleções, seu país surpreendeu o mundo com a melhor campanha de um time africano em toda a história (Senegal igualou o feito em 2002). Com um futebol irreverente,  os Leões Indomáveis chegaram até as quartas de final, após passarem pela Colômbia de René Higuita nas oitavas e terem vencido a Argentina de Maradona na fase de grupos. Milla, na época com 38 anos, ficava no banco e entrava no segundo tempo das partidas. A experiência contava a favor e ele marcou 4 gols.

Na Copa de 94, mesmo sem clube, Roger Milla foi convocado. Os Leões já estavam sem a força de quatro anos antes e conquistaram apenas um ponto, tendo perdido por 3×0 para o Brasil e por 6×1 para a Rússia. Mesmo com os placares adversos, Milla teve muito o que comemorar. Aos 42 anos de idade ele se tornou o jogador mais velho a disputar uma partida de Copa de Mundo e a marcar um gol (foi dele o gol de honra contra a Rússia).

Com alegria na hora de jogar futebol e a marca registrada de comemorar os gols junto à bandeirinha de escanteio, Roger Milla é considerado o maior jogador africano do século XX.

Com um característico sorriso no rosto, ele agredece.

Jorge Valdano

Jorge Valdano

Foto: Joe Mann

Jorge Alberto Francisco Valdano Castellanos, argentino, nasceu em Rosário, em 1955. Jogou no Newell’s Old Boys de 1971 a 1975. Obteve destaque com o título argentino de 74 e se transferiu para a Espanha, para jogar a segunda divisão pelo Deportivo Alavés. Passou ainda pelo Real Zaragoza, antes de chegar ao Real Madrid em 1984, ano em que foi artilheiro da Liga. Conquistou três campeonatos nacionais e duas Copas da Uefa.

Defendeu a seleção argentina por 11 anos, tendo conquistado a Copa do Mundo de 1986.

Pendurou as chuteiras no ano seguinte e foi treinador por 6 anos. Hoje é diretor do Real Madrid. Além disso, é um dos mais respeitados cronistas esportivos do mundo todo.

Momento Coadjuvante : Copa do Mundo 1986

Poucas Copas do Mundo são lembradas pelo nome de um jogador. A de 86 certamente teve um nome: Diego Armando Maradona. Nas quartas de final contra a Inglaterra, dois gols, sendo o segundo um dos mais belos da história das Copas. O primeiro, também histórico, foi resultado de um soco na bola dado por Maradona em direção ao gol, numa dividida com o goleiro Peter Shilton. Maradona buscava uma tabela com Valdano naquele lance.

El Poeta, como é conhecido Valdano, também brilhou naquele Mundial. Apesar de ter marcado 4  gols foi ofuscado pelo brilhantismo insuperável dos lances de Maradona. Mesmo assim, na final contra a Alemanha, carregou a Argentina ao título ao lado de Burruchaga, enquanto Maradona sofria com a implacável marcação exercida por Lothar Matthäus. 

Atacante extremamente frio e matador, o elegante Jorge Valdano enxergava o jogo como poucos jogadores de frente. Talvez não tenha recebido o devido reconhecimento pela participação no título de 86 – assim como Burruchaga-, muito provavelmente pelo que fez Maradona naquela Copa. Os três eram responsáveis pela movimentação ofensiva do time, que atuava numa espécie de 3-4-3. Juntos, Maradona e Valdano marcaram 9 dos 14 gols da Argentina naquela Copa.

Veja abaixo os gols da final de 1986.